E depois,
nós.
Tudo começou em 2021, ainda com a pandemia por todo o lado, e um pedido de namoro no cimo de uma ponte, uma escolha curiosa tendo em conta que um de nós tem vertigens.
Depois de muitas viagens entre Lamego e Viseu para estarmos juntos, nem que fosse apenas por uns minutos, decidimos «juntar os trapinhos» e mudar-nos para Alverca, em 2023. Começámos com um colchão no chão, um puff na sala acompanhado de mantas, um monitor a fazer de televisão e uma gata que veio depois de muita persuasão.
Aos poucos, a casa foi-se transformando num lar e a gata foi conquistando um lugar especial num coração que, até então, dizia não gostar de gatos.
Gostamos de sair sem planos e foi assim que fizemos a nossa primeira grande viagem a dois: nós, um carro e a estrada, sabendo apenas onde começava e onde terminava a viagem. Esta tornou-se uma private joke que agora partilhamos com as pessoas mais importantes das nossas vidas: as nossas férias são como a nossa vida a dois. Sabemos que, no início e no fim, estaremos juntos, mas pelo meio vamos descobrindo coisas novas, explorando caminhos inesperados e colecionando histórias, com uma certeza: vamos fazê-lo sempre juntos.
Gostamos de sair de casa para ver o mar, por isso sair sem destino e acabar no Guincho é perfeitamente normal, desde que não falte uma paragem pelo Lidl para espreitar as novidades da Parkside e comer um folhado de maçã.
Cá em casa, não faltam episódios: a Chica transforma a gaveta das meias numa cama e deixa a arrumação por nossa conta, e uma ida a Lamego para apanhar cerejas, prevista para duas horas, transforma-se numa aventura de doze.
Somos também um casal que gosta de criar tradições: as manhãs de fim de semana são sagradas, com o Inspetor Max a dar na televisão, e os sábados à tarde são para ver um filme. São pequenos rituais que, com o tempo, se tornaram tão nossos como qualquer grande aventura.
Em todos os prédios há «aquela» casa e, no nosso, temos um palpite de que é a nossa. As varandas estão cheias de flores e já por lá passaram tomates cherry, morangos, pimentos, alfaces, dois pinheiros, uma figueira, uma oliveira, dois maracujás, melões e tantas outras experiências que nos vão passando pela cabeça.
A 28 de dezembro de 2025, chegou o pedido de casamento, com um plano que parecia simples: a mesma cidade, a mesma ponte, o mesmo dia. Mas, entre os nervos e a ideia de ver o anel ir parar ao rio, o plano mudou e o pedido ficou para o pôr do sol, no cais do Porto.
O namoro começou a 28 de dezembro, o pedido de casamento a 28 de dezembro. Por isso, o casamento tinha de ser no dia 28, mas agora de agosto. Há tradições que se mantêm, outras mudam de estação.
Com amor, Rafaela & José